
Quando o médico afirmou
que precisava cortar a massa
passou a usar a faca
para comer o macarrão...

Corpo esguio e elegante. Braços largos, firmes e abertos, demarcando o território por onde ela não passaria. Um dia, uma vértebra partida baixou para sempre os braços. Agora jogado a um canto, a chuva o consumia...
foto Loua Desprendeu-se de todos no exato momento em que o pão foi partido ao meio. Sentiu-se despencar do alto e desejou desesperadamente que pudessem escutá-la. Já dava tudo por perdido quando, ouvindo um bater de asas, sentiu seu pequeno corpo ser suspendido pelo bico. Enfim, ainda pensou, cumpriria seu destino. E soltou um último suspiro...

Quando a claridade alumiou, piscou as pequenas lantejoulas restantes. Há quanto não via a luz! Mas a breve alegria foi levada pela dor alucinante de sentir seus botões arrancados, um a um. Uma fileira inteira deles. Depois, como se dilacerassem sua alma, sentiu despregar a pequena faixa de renda francesa. Por último a escuridão. E permaneceu para sempre esquecido no fundo do velho baú...